terça-feira, 26 de junho de 2012

Amor

Posso ver nos olhos
o brilho
ofertado sem pedido
nem medido
do momento que estou
presente

E ausente,
como uma folha
a cair
ao solavanco do vento,
Encontro novo
caminho de mim.

A voz alegre
que acaricia
mostra a cura
de dores
muitas, no inexorável
desbotamento.

O verde verdeja verdejante
as cores
tornam-se pulsantes
é luz
demais nos olhos
em torno do que há.

As palavras chegam
dispersas tanto
formam um todo soante
Prendem-se
no fio invisível
indelével das fragâncias.

sábado, 2 de junho de 2012

Poderia dizer que estou triste,
mesmo sabendo da diferença
de ser e estar, de ir e vir,
Sou alegre, carrego comigo
minhas líricas vicissitudes.

Entrego-me ao pensamento
do passado inexiste,
E comprovo que ele existiu,
Perdura para o sempre
sem qualquer esforço.

Mais lágrimas caem
da face acalorada
A constatação é a única
desimportante
Meus olhos brilham.

Não se deve evitar a dor
por medo do ferimento
Frente à vida
tudo é pequeno
e humano.

Poderia dizer que estou triste,
mentindo, quando fosse o
inverso sentido,
Mas já está dito
Já está feito. Já é.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sentir o próprio corpo
com estranhas dores
Como se as de si
já não fossem o bastante

Mas no mundo tudo cabe
a galáxia é imensidão
E o que não posso ver
vive independente de mim

Cheios de boas vontades
mãos e pés se movem
levam para outro lado
levam para abaixo da terra

A escolha é trabalho
árduo, há vozerio
pelos descampados
Escuto a voz de mim

Nada quero ter
a não ser a liberdade
E poder ser contrária
a qualquer máscara

Minha vista se enubla
e um lago insurge
Contemplo o reflexo
no centro formado

Sinto o quanto sou
não podem as palavras
Todos não me virão
Todos não me darão a mão

O exato pontua a medida
Além da montanha
o deserto é ilusão
Abro-me à alegria

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Antes de há muito
já existia a poesia
Num sussurro do vento
E no toque de uma palavra

O urro descompassado
Abriu-se ao luar
E a noite caiu
Calentosamente coberta

Saiu-se ao caminho
o pé ante pé
pelas encostas, pelas
frestas e pelas veredas

O sorriso aceso
que faz morada
A flor erguida
no transpirar do orvalho

A partida de uma nova
chegada, o adeus do dia
O novo que chega para
depois acenar

O suspiro erguido
na vaguidão do tempo
A espera da caça
no descampado habitado

Há muito o silêncio
diz o indizível
E se colhe o dia
com o olhar no horizonte

quinta-feira, 12 de abril de 2012

É o poder da visão mais forte
sim, mais forte
E tudo é presença
bem perto, pertinho
Conjunto único
é inigualável
E posso sorrir
tão alegre

A fadiga não impede
é insuficiente
Ante a prova
que é a vida
E, assim, prosseguir
ir em frente
Os caminhos aparecem
andar novamente e de novo

É fácil amar
sentir-se em si e noutro
Pensar na complexidade
o simples diálogo
Em expansão se consome
é a harmonia de vozes
O mundo é casa perene
Acaba-se a construção

Muda o tempo
a terra gira
As lembranças confundem o sentir
Recordar é viver
Estar em si é fechar-se
Abrir-se para ver
Algo permanece indelével
É inexpugnável ser outra

quinta-feira, 29 de março de 2012

Margem

À margem está a unidade
daquilo que nunca será inteiro
Em partes resguarda-se
o todo

Saberia alguém a outra metade
se não tem um?
O mar profundo beira
o céu

Avante a dor cega
enquanto escorre o sangue
A escuridão avança
no luar

São os olhos perspicazes
e os pensamentos fundamentais
e as vozes humanas
Outro canto

De hoje em diante não saberei
o ontem, o amanhã, o hoje
A linha é tênue
Vida

O limite onde há?
O espaço é assaz pequeno
Desmagnetizado o tempo
Liberdade

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ajuda

Quando se precisa de uma mão
e dão-lhe pedras
Pergunta-se: Onde está o humano?

Vitupério do dia perdido
As estrelas, na face, brilham
Há luz dentro de si.

Lentamente as horas mortas
São o sepulcro do segundo
de todos eles

Amar? Ser? Plenificar?
Os gestos comedidos são
o dia findo.

Fingida a dor morre
É preciso viver a vida
Há braços que amparam

Cerra-se o punho da discórdia
Aplaca-se a ira insurgente
A paz enobrece o ânimo / os ânimos